sábado, 2 de junho de 2012

Santos já tem lei instituindo a Semana da Diversidade Sexual


Acontecerá na última semana de novembro.
Parabéns a todos que contribuíram para a elaboração do Projeto de Lei e aprovação do mesmo:


- Vereador Arlindo Barros;
- Comissão da Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo da OAB Santos;
- Comissão Estadual da Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo do IBDFAM-SP;
- Grupo Diversidade Sexual de Santos;
- Instituto Joana D'Arc
- Movimento LGBT da Baixada Santista

'Me sinto com a roupa do avesso', diz modelo transexual sobre sexualidade


Carol Marra precisou de 22 anos para se descobrir e assumir - sobretudo para seus pais - que é transexual. Hoje, aos 24, ela não precisa mais fazer do porta-malas de seu carro um camarim para sair vestida de mulher às escondidas, mas ainda trava uma batalha contra o espelho. "Me olho e me sinto com a roupa do avesso. Não gosto nem de tirar a calcinha, não me sinto a vontade", confessa a modelo, que ainda não fez a cirurgia de mudança de sexo por falta de tempo.

Um dos destaques da Fashion Rio Verão 2013 - semana de moda carioca que terminou no sábado, 26 - Carol Marra recebeu o EGO para um bate papo exclusivo, durante o qual se emocionou ao relembrar as dificuldades da infância e a luta pela superação de preconceitos.

Chamada de "mulherzinha" e de "bichinha" no colégio, Carol conta que não ia ao banheiro na hora do recreio porque temia ser agredida pelos meninos de sua turma. "Voltava do intervalo e pedia à professora para ir ao banheiro, mas ela não deixava. Muitas vezes fazia xixi na calça. Era 'bullying' total", relembra.

Se no colégio a sensação era de solidão, em casa a modelo contava com uma "companhia" especial: a de Xuxa. "Meu mundo era meu quarto. Me trancava, ligava a TV e descia da nave com ela. A Xuxa dizia muito para a gente acreditar nos nossos sonhos, aquela história toda... Você não tem ideia do quanto ela foi importante para mim. Ela era minha amiga ali, no meu mundo", conta a modelo, sem conter as lágrimas.

"Na adolescência foi ainda mais complicado, porque eu conhecia outros garotos, que eram gays, mas não sentia atração por eles. Nunca fiquei nem com mulher. Se me virem grudada com alguma, separa que é briga (risos). Eu sentia atração pelos namorados das minhas amigas e aquilo era muito louco", relembra.

Confira a entrevista completa de Carol Marra para o EGO:

EGO: Você era jornalista, antes de se tornar modelo. Como surgiu o convite para fazer esse tipo de trabalho?

Carol Marra: Percebi que não queria falar de buraco de rua e de declaração de imposto de renda. Sempre quis trabalhar com moda e surgiu a oportunidade de fazer produção de moda. Os fotógrafos com que eu trabalhava me diziam que eu era bonita, que eu tinha um ângulo bonito. Um dia cedi ao convite de um deles e aí apareceram outros querendo me fotografar também. Mas eu brincava de ser modelo, não era profissional. Nunca planejei isso.

Como você, que estava acostumada a viver atrás dos holofotes, está lidando com essa superexposição?

Amo salto alto, mas tenho meus pés no chão. Não me deslumbro com a fama. Mas minha vida está sendo muito invadida. Qualquer relacionamento que eu tenha se transforma num circo. Foram revirar meu passado e viram que eu namorei com um jogador de futebol que hoje está na Seleção Brasileira. Mas não tem como apagar meu passado e nem tenho tenho uma história feia para esconder, muito pelo contrário. Nunca me prostitui, apesar de não condenar quem faz isso. Às vezes, as famílias não aceitam e muitas transexuais vão para a rua como uma forma de sobrevivência. Você daria trabalho para uma faxineira 'transex'? Não daria. O que a mídia divulga é que a transexual é a marginal da esquina, que se prostitui, e não são todas que são assim. Tive sorte de ter uma família boa, que me deu tudo.

Você conta para os caras que conhece na noite que você é transexual antes de dar o primeiro beijo?

Acho que não tenho que me apresentar mostrando meu RG. Conheci uma pessoa recentemente, mas não contei. Ele ficou completamente apaixonado, falou que eu era a mulher da vida dele e praticamente moramos juntos em São Paulo durante três semanas. Eu dava pistas, dizia que tinha saído em determinada revista, mas ele não lia. Ele me respeitava muito, queria uma namorada para casar. Claro que a gente sentia desejo, mas não rolava sexo porque eu queria contar pra ele antes. As pessoas devem achar isso uma loucura, mas é muito difícil. Só quem vive é que sabe.

E como ele descobriu?

Um amigo viu uma matéria e mostrou para ele. Muito educadamente, o cara me disse que estava trabalhando muito e que tinha uma outra pessoa. Mas eu sei que é mentira. Infelizmente ele ouviu a opinião dos amigos, e não o coração. Fiquei com um sentimento de rejeição. Eu disse 'você me ama ou ama o que tem entre as minhas pernas?'.

Mas já aconteceu de você contar antes de rolar alguma coisa?

Outro dia conheci um cara na balada, que era um desses Mister da vida. Ele me reconheceu, disse que eu era mais bonita pessoalmente e que era livre de qualquer preconceito. Pegou na minha mão, me levou para o camarote e ficou comigo na frente dos amigos. Mas eu sabia que não era um cara para namorar, que era só para uma noite.

Como foi o momento em que você decidiu contar para os seus pais que era transexual?

Eu me perguntava até quando eu iria viver uma mentira para tentar satisfazer meus pais. Mas sabia que eu me assumir 'trans' para eles seria uma agressão. Por outro lado, eles já são de idade, eu ia deixar de viver a minha felicidade para viver a felicidade dos meus pais? Isso é injusto. Há dois anos fomos ao psicólogo e contei. Foram 22 anos de sofrimento. Tirei um peso das minhas costas. Para os meus pais foi um choque, porque eles achavam até que eu seria gay, mas nunca transexual.

E hoje eles já aceitam melhor sua decisão?

Na época, minha mãe disse que não queria me ver vestida de mulher, mas hoje em dia até me vê desfilar. Sei que meu pai sofre calado, que é muito doloroso para ele. Pai e mãe não querem que os filhos sofram preconceito. Mas hoje eles viram que se eu estou numa esquina, não é para me prostituir, mas para posar para uma revista, um jornal... Todo mundo esperava que meu final fosse uma esquina qualquer da vida. E eu provei que não foi.

Por que você ainda não fez a cirurgia de mudança de sexo?

O trabalho está muito intenso e eu não posso recusar as oportunidades que estão aparecendo para fazer a cirurgia. O pós-operatório é muito doloroso, mas falta isso para eu me sentir plena. Não quero fazer pelos outros. Meu psicólogo me diz que não é uma vagina que faz uma mulher. Até porque um homem tem que gostar de mim pelo que eu sou, e não pelo que eu tenho entre as pernas.

Quando as pessoas te olham desfilando de biquíni, é natural que elas imaginem como você consegue "esconder" o pênis. Como você aprendeu a fazer isso?

Temos uns truques. Aprendi conversando com uma, com outra. É supersimples, muito fácil. Além disso, de tanto tomar hormônio, você vai ficando com um corpo feminino também. A genitália atrofia muito, diminui. Até para fazer a cirurgia fica mais fácil.

Já te disseram que você é muito parecida com a Lea T? Vocês se conhecem?

Todo mundo diz isso. Eu a conheci no Rio há um ano, fomos juntas para uma balada. Ela é superdivertida, um amor, mas nunca mais tivemos contato. Adoraria poder encontrá-lá de novo. É uma pena que a imprensa tenha até criado uma rivalidade entre a gente. Acho que todo mundo tem direito a oportunidade. Parece que tudo que ela faz eu quero copiar, e não é assim. Eu quero sair da sombra da Lea. Cada modelo tem sem foco, sua carreira. 

Você se acha uma mulher bonita?

Tem dias que eu me acho a mulher mais feia do mundo e tem dias que saio de casa me sentindo poderosa. Eu posso estar ali na esquina que todos olham para mim.

De onde surgiu o nome "Carol Marra"?

Marra é meu sobrenome de batismo e Carol foi um amigo maquiador que me batizou. A Carol não surgiu, ela sempre esteve em um lugar guardadinha dentro de mim.

Você está solteira? Sonha em se casar?

Estou solteira, mas sonho casar na igreja, acordar de manhã e levar o café da manhã na cama para o meu maridinho, deixar os filhos na escola. Se pudesse trocar essa vida de glamour, de passarela, que eu amo, por um grande amor, eu juro que não pensaria duas vezes. A gente tem carência de um colo para dar carinho. É tanta pedra que atiram... É inevitável que se uma pessoa de trata com respeito, com carinho, você se apegue.

O que você pretende fazer quando seu prazo como modelo expirar?

A carreira de modelo é curta e eu não tenho mais 17 anos. Estou aproveitando as oportunidades. Mas sou atriz e estou fazendo curso de TV e cinema, para estar preparada para convites para cinema e novela. Quero que as pessoas me dêem oportunidade, que me chamem para testes. Vou mostrar meu potencial.

Fonte: Olhar Direto

TJ autoriza casamento homoafetivo


Depois de mais de nove meses de uma ansiosa espera, um casal homoafetivo de Bauru poderá finalmente se casar “no papel”. O direito foi conquistado por Charles Bulhões Trevisan da Silva, 24 anos, e Cauê de Oliveira Sena Ricarte, 19 anos, graças à decisão proferida ontem pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), na Capital. Os dois já viviam sob regime de união estável, mas lutavam para ter o casamento civil reconhecido desde o ano passado. A intenção era poder garantir, entre outros benefícios, o direito de adotar o sobrenome do parceiro, assumir o novo estado civil nos documentos pessoais e incluir o cônjuge em planos de saúde, além de poder receber pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e tornar-se herdeiro necessário em caso de morte do parceiro.

A decisão foi tomada por unanimidade em segunda instância após a juíza Ana Carla Crescioni Almeida Salles, da 1ª Vara da Família de Bauru, negar o pedido do casal, em agosto do ano passado. Ainda em São Paulo, Charles comemorou a conquista de um objetivo do qual ele e seu parceiro nunca desistiram.

“Essa é a primeira vitória dentre muitas. Além da não observância dos direitos da comunidade homossexual, existem muitos outros direitos que estão longe de serem observados, e eu pretendo lutar por isso”, adianta.

Cauê, que ficou em Bauru, avalia que a decisão irá facilitar a vida dos dois que, na visão dele, sempre deveriam ter tido acesso aos direitos garantidos por lei a qualquer casal. “É algo que já deveria ter acontecido há muito tempo. Mas estou muito feliz”, diz, adiantando que pretende realizar uma nova confraternização para comemorar o resultado.

Em setembro do ano passado, Charles e Cauê promoveram uma grande festa na expectativa de que a 1ª Vara da Família de Bauru fosse acatar o pedido de casamento civil. Não foi o que ocorreu.

Na época, a juíza Ana Carla entendeu que, embora a união estável homossexual tivesse sido reconhecida como entidade familiar pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o casamento entre pessoas do mesmo sexo continuava não sendo autorizado pelo Código Civil. Em seu artigo 1.514, a lei prevê que “o casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal”, não havendo menção sobre a possibilidade de casamento entre dois homens ou duas mulheres.

Jurisprudência

Mas, em outubro do ano passado, uma ação protocolada por duas mulheres do Rio Grande do Sul chegou ao STJ e órgão autorizou, pela primeira vez, o casamento homoafetivo. Na ocasião, um dos ministros que participaram do julgamento declarou que não existem argumentos jurídicos que contrariem a união entre casais do mesmo sexo e que qualquer restrição tem apenas fundo ideológico e discriminatório. 

Desde então, esta decisão, embora não obrigasse juízes e tribunais estaduais a seguirem a mesma linha, passou a representar jurisprudência e uma orientação importante para os magistrados. De acordo com Taís Nader Marta, advogada que representou Charles e Cauê, os sete desembargadores que compõem o Conselho Superior da Magistratura do TJ acataram o pedido do casal com base no posicionamento do STF e na decisão do STJ.

Também levaram em consideração o direito constitucional de que todos são iguais perante a lei e o artigo 226 da Constituição, cujo parágrafo terceiro reconhece a união estável como entidade familiar, “devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. “No entendimento deles, não autorizar o casamento homoafetivo seria dar um tratamento diferenciado às pessoas por conta do seu sexo. Seria uma atitude preconceituosa e discriminatória”, salienta.

Para Markinho Souza, membro da Associação Bauru pela Diversidade (ABD), a decisão obtida no TJ trará repercussão jurídica e social para todos os casais homoafetivos que ainda lutam pelo direito de formalizar o casamento civil. “É mais uma vitória muito importante para a comunidade e mostra a importância das pessoas nunca desistirem de lutar pelos seus direitos”, conclui.

Fonte: JCNET

São Paulo terá primeiro museu gay da America Latina


Com previsão para inaugurar em 2013, o primeiro museu gay da America Latina deverá ser erguido na estação República do Metrô. O Centro Cultural Memória e Estudos da Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, terá como principal função o resgate e a preservação da história do movimento gay em São Paulo.


Atualmente as únicas capitais que possuem museus semelhantes são Berlim e São Francisco. O projeto será viabilizado pela Secretaria Estadual da Cultura em parceria com o Metrô e deverá ocupar um espaço de 150 metros quadrados, mas o governo ainda está em fase de levantamento para decidir a composição do acervo.


Holandeses lançam aplicativo anti-homofobia


Seguindo o exemplo dos Estados Unidos e da Bélgica, a Holanda lançou esta semana um novo aplicativo para celulares inteligentes: Bashing.eu. A intenção do aplicativo é oferecer uma visão global da violência contra membros da comunidade LGBT.

O aplicativo, uma iniciativa da fundação Vrienden van de Gay Krant (Amigos do Jornal Gay), e é extremamente fácil de usar. Em menos de um minuto, uma vítima pode fazer o upload de onde, como, quando e que tipo de violência foi usada contra ela. Os dados são arquivados e processados para criar um mapa da Holanda mostrando onde ocorreram os incidentes de homofobia.

Henk Krol, presidente da fundação e editor do Gay Krant, explica que usuários do aplicativo também recebem aconselhamento sobre o que fazer quando passam por uma situação assim.

“Se alguma coisa aconteceu, você pode imediatamente fazer um boletim de ocorrência com a polícia via celular. E receberá dicas de onde prestar queixa. Porque cada queixa, é claro, é diferente. Você foi intimidado? Ou ameaçado fisicamente? Dependendo do que você preenche, você recebe dicas de qual o local certo a procurar.”

Registro

A fundação Vrienden van de Gay Krant trabalha em conjunto com a Promotoria Pública e o ombudsman nacional para encontrar a maneira mais eficiente de agir contra a violência homofóbica.

Henk Krol espera que isso leve a uma redução no número de incidentes. Todos os boletins de ocorrência também são registrados no site www.bashing.eu .

Até agora, os resultados na cidade de Utrecht foram animadores. O aplicativo foi lançado lá no final de março com o nome Gay Alert. De acordo com Henk Krol, há um aumento no número de boletins de ocorrência cada vez que a mídia dá destaque ao aplicativo: “Espero um aumento no número de boletins de ocorrência, porque eles podem ser arquivados mais rapidamente desta maneira.”

Inventário

O aplicativo holandês contra a homofobia é baseado em seu similar belga, que foi criado por Bert Vermeire. Ele trabalha numa agência de publicidade em Bruxelas e pensou no aplicativo depois de ter visto uma campanha do movimento anti-homofobia Outrage! no Facebook. “As pessoas eram convidadas a criar uma estratégia para criar um inventário da violência homofóbica”, conta Vermeire.

Números divulgados recentemente mostram que houve um aumento substancial de incidentes de homofobia na Holanda em 2010. O número de casos dobrou em relação a 2009. O COC, grupo holandês de defesa dos direitos da comunidade LBTG, diz que 7 a cada 10 homossexuais na Holanda – tanto gays como lésbicas – sofre violência homofóbica em algum momento de suas vidas.

Manaus realiza Parada do Orgulho LGBT no próximo dia 28


Manaus - Em comemoração ao Dia do Orgulho Gay, que acontece no dia 28 de junho, Manaus estará realizando, no próximo dia10, asua 12ª Parada do Orgulho LGBT (ou Parada Gay).

Com o tema ‘Homofobia Tem Solução - Educação e Criminalização’, o evento seguirá da Avenida Pedro Teixeira até a Rua Loris Clodovil, sentido Alvorada, e contará com seis bandas locais (ainda a confirmar), seis DJs, show de drag queen, duas tendas eletrônicas temáticas e apresentação do lolito pop da parada, o garoto que simboliza o go-go boy do evento.

A concentração para a parada começará a partir das 16h, na Avenida do Samba, ao lado do Sambódromo, e, às 18h, será dada a largada dos trios.

Conscientização

Como 2012 é ano político, a edição do evento fará algo de diferente.

“Na própria parada nós vamos ter uma conversa sobre a importância do voto de cidadania, proporcionando uma orientação básica para a eleição”, comentou BrunaLa Close, presidente do evento.

Filme 'Flores Raras' terá Glória Pires em papel de homossexual


Acostumada a viver romances na TV, no teatro e no cinema, Glória Pires vai experimentar uma história de amor distinta em "Flores raras", novo filme do diretor Bruno Barreto. A atriz vai interpretar Lota de Macedo Soares, arquiteta carioca que teve um intenso relacionamento com a poeta norte-americana Elizabeth Bishop, vivida pela australiana Miranda Otto ("Senhor dos anéis" e "A guerra dos mundos").

Baseada no livro "Flores raras e banalíssimas", de Carmem Lucia de Oliveira, a produção começa a ser filmada no próximo dia 11 e vai destacar o romance entre a brasileira, que idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo (também conhecido como Aterro do Flamengo), e a ganhadora do Prêmio Pulitzer de 1956.

"Sabemos que a questão do homossexualismo é um grande atrativo, mas não estamos discutindo aqui a opção sexual dela (Lota), e sim como eram essas pessoas, e a obra que deixaram. Isso me atrai muito e espero que tenha bastante impacto. Mas espero que as pessoas vejam a questão de outra forma e que não se preocupem tanto com isso", disse Glória, que preferiu não polemizar durante a entrevista coletiva realizada no fim da tarde desta quinta (31), num hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Para a atriz, o longa faz justiça à história de Lota e dá a oportunidade do grande público conhecer um pouco mais sobre a arquiteta brasileira, sua personalidade forte e seu legado para o Rio.

"Achei muito bacana a possibilidade de podermos consertar algo historicamente errado. É uma grande injustiça Lota não ser reconhecida por sua participação na vida da nossa cidade. Sendo uma personagem tão forte, uma mulher inovadora à frente do seu tempo e extremamente culta, achei toda essa junção de atrativos muito emocionante", exaltou.

O diretor, que elogiou o desempenho da atriz nos ensaios ("ela já é a personagem depois de dez dias"), adiantou que há apenas uma cena mais explícita, quando as duas personagens fazem sexo pela primeira vez.

"Ao mesmo tempo que nos preocupamos em acentuar o assunto, tomamos muito cuidado para não evitá-lo. Porque também seria errado", comentou Barreto. "Mas eram os anos 50. O Brasil é aparentemente liberal mas, no fundo, somos muito conservadores. Naquela época, mais ainda", complementou o cineasta, revelando que mais 90% do filme é falado em inglês.

A relação entre Lota e Bishop é ganha mais dramaticidade por conta da personagem Mary Morse, interpretada por Tracy Middendor. Ex-companheira de Lota, é Morse quem apresenta as duas protagonistas do filme.
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Orçado em R$ 13 milhões, "Flores raras" não atraiu investimentos da iniciativa privada. Segundo os produtores, será a primeira produção da LC Barreto iniciar as filmagens sem o total de recursos captados para concluí-la. Para Paula Barreto, o motivo envolve a temática homossexual da trama.

"Por enquanto temos R$ 9 milhões, entre verba do BNDES, Globo Filmes, Imagem Filmes, Telecine e TurisRio, entre outras instituições. Inclusive minha mãe (Lucy Barreto) colaborou com ações de um banco para que as filmagens não parassem. A gente nunca achou que fosse passar por essa dificuldade. É uma história linda, que tem que ser resgatada. E não trata somente de um amor gay", ressaltou Paula.

"Flores raras" tem roteiro da brasileira Carolina Kotscho e do americano Matthew Chapman e também traz no elenco Treat Williams e Marcelo Airoldi, este último vivendo o governador Carlos Lacerda.
Fonte: Tribuna Hoje